Vamos pensar com a cabeça e deixemos de parte a “fé”. Há já algum tempo que gostaria de ter escrito sobre este assunto. Afinal, porque é a igreja contra o uso de contraceptivos? Achará o Papa Bento XVI que a SIDA é apenas uma doença que Deus deu ao Mundo porque praticam de mais “o sexo” e menos “o amor”?
Ultimamente este assunto deixou-me perplexa. Estamos em pleno século XXI, onde a evolução é o futuro. Onde o futuro está em encontrar cura para inumeras doenças. A SIDA é uma delas. Pensar na igreja como “grupo” – e não em quatro paredes com um ícone – deixa-me outra dúvida. Não é objectivo da igreja ajudar e auxiliar os carenciados? Implicará isso a escolha pormenorizada da pessoa que deve a igreja ajudar?
Se dentro da própria igreja não estão de acordo com o uso ou não do preservativo. O que deve um católico cristão praticante fazer? Pensar em crianças abandonadas, poderá ser pensar num casal que respeitou a ideia da sua religião e teve um filho que não pode educar. Olhar para uma criança ou um adulto vítima do vírus HIV poderá ser olhar para uma pessoa que respeita a opinião da sua religião no que respeita à utilização de contraceptivos.
Olhando bem para a ideia da igreja. Olhando bem para o materialista que esta tem sido de ano para ano.
Se primeiramente – e quando refiro primeiramente falo da idade média – víamos as pessoas a pagar pelos seus pecados, agora podemos ver a igreja a construir enormes monumentos com o dinheiro que vem adquirindo ao longo dos séculos, daquilo que preferia não enunciar aqui que é a fé dos outros, daqueles que vêem uma igreja como uma instituição e não como um monumento.
Dentro da igreja os grupos estão formados. A favor e contra o uso dos contraceptivos. Os contraceptivos não incentivam ninguém a ter relações sexuais, esse é um acto animal e natural que nasce com qualquer ser humano. Porque é isso que um padre é antes de ser padre, um ser humano.
Todos nós somos fracos, e todos nós apanhamos constipações e gripes se não usarmos protecções para o frio. Todos somos responsáveis pelos nossos actos. Todos temos ideais. E esses ideais são “responsáveis” inconscientemente pelos nossos actos. A igreja deveria pensar como um ideal de um povo: ajudando-o, e não ideal de um povo, fazendo o que acha certo ou errado consoante ideias que alguns senhores acham errado.
Se ligarmos esta ideia ao provérbio “diz-me com quem andas dir-te-ei quem és” diríamos, quanto a este caso, “diz-me que és cristão católico praticante e dir-te-ei que mais probabilidade de apanhar SIDA tens”.
Andrea Rocha
Agosto 2, 2008 at 9:30 pm
O homem desde sempre sentiu uma necessidade de imaginar/criar forças ou entidades superiores que o ajudassem a guiar a sua vida. Ao longo da evolução essa necessidade tem decrescido e deixado de se tornar tão radical. Na actualidade as pessoas estão mais consciencentes da ciência e nas inumeras respostas que a ciência nos trousse que com provas inquestionáveis fazem com que muitas “respostas” explicadas por diversas religiões se tornassem inadequadas e sem sentido. Na minha opinião acho que ainda existe uma necessidade de uma religião, pois é muito fácil encarar a vida quando acreditamos que alguem nos guia pelos melhores caminhos, e que nos ajuda a ser optimistas. Isto tudo para mostrar que ao longo da evolução dos últimos séculos a igreja tem tomado medidas a meu ver, desesperadas para tentar controlar os seus fieis e hoje tá com cada vez menos apoiantes, a igreja, e quando falo de igreja falo de uma instituição, se quiser sair deste estado de auto-destruição vai ter de deixar de parte muitos dos seus ideais conservadores que ja não fazem sentido no mundo actual em que vivemos hoje.
Agosto 2, 2008 at 11:18 pm
Meu caro manel, se a igreja deixa-se de ter muitos do seus ideais deixaria de ser igeja e passava a ser mais um grupo de pessoas. E já agora, se quem não vota não pode criticar o governo do mesmo modo quem não tem os conhecimentos minimos da igreja e suas obras pode dar opiniões fúteis. Nem sempre o mais fácil é o mais conveniente.
Agosto 3, 2008 at 12:35 am
Posso garantir-lhe, que apesar de me faltarem detalhes – sei o suficiente sobre esta religião para cada vez mais, talvez como o Manel afirmou, me sentir distante dessa igreja com todos aqueles ideais.
A verdade, e pegando no que afirmou em cima: “se a igreja deixa-se de ter muitos do seus ideais deixaria de ser igreja e passava a ser mais um grupo de pessoas”.
Acho que este não é um ponto negativo, porque a igreja – como símbolo de apoio – é isso mesmo. Um grupo, ou seja, um ponto-de-encontro ou um ombro, como a queiram chamar. Não é apenas uma Bíblia, e muito menos podemos encontrar paz interior, apenas numa capela ou num mosteiro, temos que desabafar (ou confessar) e ouvir (lendo a bíblia ou indo à missa).
Se for num “grupo” que encontraremos uma resposta. Este nem sempre poderá ser o caminho mais fácil.
Outubro 13, 2008 at 1:28 pm
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