A palavra medo tem, realmente, um significado no dicionário que poderemos achar relevante ou não – verdade ou mentira. Podemos dizer agora que se nos assaltassem fugiríamos a ‘sete pés’ ou então que enfrentaríamos o assaltante. Poderíamos agora dizer que o “Zé Manel é um totó porque não foi fazer queixa sabendo que quem o roubou foi um miúdo que mora ali na rua de baixo”.

A verdade, é que o significado desta palavra surge apenas quando estamos confrontados com o problema, com o tal medo que tem aumentado entre os cidadãos. A segurança apenas existe com aquele “in” antes, ou seja, não existe. Ou se existe, não é suficiente. Para mim andar nas ruas em segurança é andar nas ruas sem o tal medo (que tem aumentado). Os assaltos por outro lado existem. Mas se um assaltante quer assaltar sem grandes problemas o melhor é pensar na forma mais fácil e menos trabalhosa para o fazer.

Ainda hoje se fala em “prisão preventiva” para quem possuir uma arma. E continuasse a falar nos 25 anos de prisão para quem mata? A verdade é que a palavra matar, que parece ser fácil escrever nos jornais. Tirar vidas – que é um dos significados de matar – também se tornou fácil nesta sociedade.

Numa guerra saímos de casa com medo que alguma bomba nos caía em cima. Nas ruas portuguesas saímos de casa com medo que o próximo homem que se cruze connosco traga aquilo que mais tarde, lhe poderia trazer a tal “prisão preventiva”, se este não a usar para assaltar, mas apenas a tiver no bolso.

Ou seja, quem quer matar, certamente estará mais preocupado com o problema: “25 anos de prisão”; quem se quer defender estará preocupado com: “prisão preventiva” e quem nos deve proteger – os agentes policiais – devem estar preocupados com: “se o mato também me prejudico a mim”.

Não sei de que forma poderão estes assaltos parar. Mas sei que na cabeça de todos há medo e acredito que como um tufão aumenta, também esta onda está a levar consigo muitas vidas e muitas dúvidas, que poderão em muito alterar as leis portuguesas.

Andrea Rocha