Pensando neste assunto como algo que mexe com a comunicação, fala-se da distância e da sua necessidade de informar, as saudades e a vontade de nos aproximarmos. Falando da evolução vemos que passamos de uma página de papel para uma página num monitor. Estamos de tal forma preparados para uma evolução estranha – de monstros e E.T. – que nem nos surpreendemos com tudo o que nos colocam à frente e lhe chamam de futuro.

Se escrever aqui uma palavra – que antigamente seria uma palavra de outro mundo – como “googlar” todos relacionam como fazer uma pesquisa no Google. Google, é uma palavra que faz parte até mesmo do vocabulário do Microsoft Word, ou seja, é uma palavra que não nos é estranha e até faz parte da home page de muitos computadores de todo o mundo.

Foi este fim-de-semana que o jornal EXPRESSO escreveu – na sua versão em papel – uma noticia dirigida por, Nelson Marques, “Está o Google a tornar-nos estúpidos?”. Quando li aquele título pensei: “será mesmo?”.

Em parte lembro-me de ter concordado, uma vez que até eram 10 da manhã e já tinha ido ao Google para pesquisar sobre a razão da Wikipédia do Michael Jackson ser branco – e até fiquei surpreendida. Assunto à parte, li a notícia e achei engraçada a forma como todos os que estavam retratados na notícia e tinham sido interrogados estavam de acordo em algo bem simples: o Google substituiu a leitura dos livros e quer que cada vez mais a resposta apareça logo de imediato à frente dos nossos olhos.

“… alerta Celso Martinho, “é o tipo de informação que a Internet dá, e que os motores de busca privilegiam, que é em grande parte desinformação, efémera, sensacional, barata. É o «fast-food» dos conteúdos”

Jornal EXPRESSO, 30 de Agosto de 2008

Com esta notícia apercebi-me que as informações são tão rápidas que as pessoas se esquecem da verdadeira palavra pesquisar esquecem-se daquele cheiro a biblioteca e aqueles livros antigos e se baseiam em tudo, ou quase tudo o que encontram no Google sem se questionarem estará certo? Ou então outra frase como “já não deveria saber isto?” quando na verdade é tão fácil tudo saber com um simples clique, um simples teclar de uma palavra que queremos decifrar.

O Google, que foi uma ideia de dois estudantes há uma década. Vale milhares de euros e é pesquisada por segundo por 3260 pessoas. Fico feliz com quem, como eu, viu esta notícia no jornal, e não apenas a tenha lido por aqui, porque – se o que aconteceu foi a primeira opção – então esse alguém ainda sabe o cheiro do jornal. E espero que este, pelo menos, não se perca por vários clicares que é esse mesmo o meu medo.

A verdade é que ao longo dos anos me questiono se globalização é bom em todos os sentidos ou apenas exista para alguns sentidos e seja mal usada por quem não a entende. E não me bastou aquela pesquisa no Google sobre esta minha curiosidade do Michael Jackson.

Andrea Rocha