Dizer que cada vez existe mais estudantes nas faculdades portuguesas poderá ser uma realidade. Saber que para muitos que entram existem facilidades, também não me parece grande novidade para ninguém. Agora, o facto de estarmos num país onde quase que temos que ser poliglotas para falarmos com o nosso médico. Isto explica uma coisa, os médicos deste país, não são deste país.

Certamente muitos dos nossos conhecidos familiares em outros tempos foram tentar a sua sorte no estrangeiro e voltaram com um novo sotaque e uma nova forma de encarar as coisas. Certamente aquela típica frase: “isso na França não é assim…”, ou “este país não é nada a comparar com os EUA” não serão novidade para nós, que temos familiares a tentarem a sua sorte no estrangeiro. Não querendo com isto dizer que são maus profissionais, ou que sou completamente contra este acontecimento. No meu ponto de vista, ser considerado português é demasiado fácil, e ser estrangeiro em Portugal – para algumas nacionalidades – é demasiado bom.

Considero até talvez que precisamos dos estrangeiros para melhor entendermos – em alguns aspectos – a diferença que existe entre Portugal e o resto do Mundo.

Agora vamos pensar nos estudantes. Eu falo por mim, sou estudante em Ciências da Comunicação e sei que neste país “quem não se mexe não sai do mesmo sítio”. Não digo com isto que nos outros países as pessoas andem em tapetes rolantes que os levam a caminhos destinados para eles e pessoalmente, tem muito mais “pica” lutarmos por aquilo que nós queremos sozinhos, mas dá muito mais vontade de lutar quando vimos que vale a pena continuar a andar, que nos conseguimos apoiar em sonhos. E melhor seria, se isto se tratasse dos apoios do nosso país.

Mas fica aqui uma dúvida. Porque continuam as pessoas a ir para o estrangeiro à procura de estudos e trabalhos? Porque é tão facilmente recusado um licenciado português no mercado de trabalho e um estrangeiro é, se necessário, recebido num tapete vermelho? Sair de Portugal deve fazer parte de qualquer português.

Cada vez há mais estudantes portugueses que querem seguir medicina e querem fazê-lo no estrangeiro. Nas Universidades de Medicina que existem em Portugal sabe-se que estão a tentar evoluir ao máximo os seus planos de estudo. A do Algarve foi bastante criticado e a da Covilhã é conhecido como uma experiência que está a ter bons resultados. Os outros estão a deixar-se ficar para trás em algumas circunstâncias, pelo menos, é o que me chega aos ouvidos e aos olhos quando me tento informar sobre o assunto.

O problema do desemprego é algo que assusta qualquer estudante. Pensar em acabar o curso sem tirar o mestrado é, actualmente, como sair de um curso e ir para o desemprego nalguns cursos deste país.

Talvez o maior problema está mesmo no pensamento à portuguesa. ‘O que vem do estrangeiro é que é importante’ ou ‘se o estrangeiro valoriza é porque é bom’. Se estivéssemos a falar de um clube de futebol saberíamos que existiriam os chamados “olheiros” que vão ver os treinos dos escolinhas à descoberta de um futuro craque de futebol. Na pintura temos ‘a’ agora conhecida – portuguesa – Paula Rego. Na música os “Silence 4” que ficaram conhecidos fora de Portugal como a primeira banda a cantarem em inglês e que ‘mais tarde pegou’. É este ‘mais tarde pegou’ que tem que ficar. Se mais bandas ficaram conhecidas e usaram o português para o conseguirem talvez deviam ser duas vezes mais aplaudidas. Um grande exemplo: a fadista Marisa e esta mesmo afirmou numa entrevista que os estrangeiros gostam é da melodia não têm que entender a letra.

Um estudante que vê o seu valor reconhecido no estrangeiro mas não no seu país ficará, certamente, frustrado e sem vontade de voltar. Assim, como hoje se falou na medicina, o mesmo acontece em outros cursos. Sair de Portugal para estudar fora, é como os nossos pais ou avós que saíram de Portugal à procura de melhores condições de vida, é chegar ao ponto de desvalorizar o que é nosso e considerar o outro melhor.

É mostrar que os “outros tempos” continuam a ser o “estes tempos” de agora. Sendo tudo uma questão de números no final de um ano lectivo. Será o desenrascar de sair do seu país e procurar outros países com médias mais baixas. Ou será apenas ver a possibilidade de sair dele mais cedo?

Andrea Rocha