rui-patricio-e-jose-manuel-villas-boasNão sei o que dizer, quando vejo um título do EXPRESSO que diz: «O 25 de Abril foi a “auto-derrota de uma Nação”» nem o que pensar quando vejo um dos comentários que diz, por outras palavras, eu concordo.
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1.«Ok», respirar fundo e pensar… Ter calma e tetar enteder o que realmente se está a passar. 2.«Ok» teve coisas boas, ninguém pode dizer que Hitler era 100% mau, e isso também é um facto. 3.«Ok» é o pensamento de alguém que se deu bem na ditadura portuguesa, que pode dizer o que pensava, porque pensava num país feliz, porque abria a janela de sua casa e no tempo de Salazar estava o céu azul, as pessoas sorriam e estavam obrigadas a aceitar isso. 4.«Ok» Portugal nunca foi tão bem reconhecido quando Salazar estava no poder. 5.«Ok» pouco deve importar também o facto de ter existido aquiles senhores fardados que nos faziam mal se dissessmos o que pensamos. 
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Continuando a leitura desta notícia do Ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de MARCELO CAETANO vejo que este afirmou coisas como «em 1974 a situação interna e externa estava longe de ser alarmante»; «o problema essencial não era de política externa, mas de ordem interna» e para mim um grande comulo foi quando: «Neste contexto, disse Rui Patrício, “a tarefa da diplomacia portuguesa era árdua, difícil e diária”. Mas na opinião do ex-ministro, “tinhamos a razão, o consenso, o direiro e a equidade”»; «Tinhamos a razão, o consenso, o direito e a equidade».
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7.«Ok» Mas afinal porque fomos todos ouvir rádio e sair às ruas mostrar o «basta Salazar!»? 8.«Ok» aclamacamos a nossa pátria e lutavamos por ela, tinhamos um objectivo e orgulho de ser português, era por outras palavras, o que dizia outro comentário sobre a notícia. 9.«Ok» que problema houve em as pessoas viverem com medo? 10.«Ok» até nas paredes de nossas casas eles escolhiam um dos quadros e este tinha que ser um retrato a preto e branco. 11.«Ok» a economia portuguesa esteve positiva como nunca voltou a estar. 12.«Ok» eramos um país pequeno, mas pelos outros eramos visto como uns grandes heróis. 13. «Ok» não poderia estar a escrever este comentário, mas certamente também ninguém o vai ler até ao fim. 14. «Ok» até que deve ser giro ver a nossa bandeira aclamada por todos. 15.«Ok» portugal tinha colónias. 16.«Ok» alguns tinham mais luxos e melhores condições, há sempre alguém que sai a ganhar de tudo isto. 17.«Ok» algumas pessoas portaram-se mal e foram presas 18.«Ok» também haviam aquelas pessoas teimosas que não concordavam com as ideias de Salazar e que desapareceram sem querer. 19.«Ok» houve ainda aqueles milhares de pessoas que sairam de Portugal “por amor à pátria”. 20 «Ok» na escola tudo era permitido fazer para convencer uma criança a ser salazarista. 21 «Ok» se se quisesse escrever um simples poema tinhamos que ter cuidade, porque poderia ficar com um carimbo vermelho por cima, e isso era mau. 22. «Ok» as cartas de amor para a pessoa da nossa vida já chegava a casa rasgada. 23.«Ok» o que se passava no estrageiro, lá bem longe não seria nem metade do que dizia a televisão, ou a rádio ou os jornais, mas não importa que nosquissessem enganar. 24. «Ok» tinhamos uma familia exemplar se a mulher trata-se bem do marido, cozinhase e tivesse muitos filhos. 25.«Ok» BASTA! 
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Somos conhecidos pelo povo que tudo engole – «Ok» – esquecemo-nos que somos um povo e que isso vale mais que qualquer pessoa que esteja a frente do governo. Mas no 25 de Abril foi isso que aconteceu, foi uma pátria unida que se viu, não uma meia dúzia de pessoas tristes que simplesmete respiravam fundo e diziam «Ok». Quando escrevi MARCELO CAETANO com letras maísculas e SALAZAR, agora também, é porque estes foram nomes culpados de tristezas, de infelicidades de coisas más para Portugal. O país está mal, é uma verdade, mas que país não está mal desde das queda das torres gemeas? Não estou a dizer que devemos respirar fundo e dizer «Ok», mas será outra ditadura solução? Se continuarmos a permitir muita coisa que temos vindo a permitir, sim – exageradamente talvez – mas sim podemos voltar a uma ditadura, porque cada vez mais é importante, para alguns o reconhecimento de todos. Mas será isso mais importante que a liberdade de expressão, a possibilidade de pensar e dizer o que se quer? 
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Ainda bem que existem amigos meus para dizer: «mas eu prefiro a liberdade à riqueza» porque pelo menos já seremos dois. Dois a recordar “grandola vila morena”. Dois a adorar as músicas sem censura. Dois a disfrutar de leituras sem medo. Dois com a certeza que a epoca de Salazar, simplesmente, NÃO PODE VOLTAR.
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Texto: Andrea Rocha