“Quando há uma crise latente, que fere em consciência as classes médias, qualquer pretexto serve para gerar a revolta. Maio de 68 foi assim”

Mário Soares, «Diário de Notícias», 16.12.2008

 

«Crise» será uma das palavras mais ouvidas desde do 11 de Setembro. De seguida virá a palavra «medo» e tudo isto gere uma grande confusão. Sócrates afirmou que 2008 seria um ano de «apertar o cinto» e ontem afirmou que será um ano de «tempos difíceis» e de «pedir ajuda aos bancos», para desenvolver empresas e criar empresas, visto que hoje em dia se criam em 30 minutos, o que ainda gostava de saber onde e como, mais isso agora não importa. O Presidente afirmou relativamente o mesmo anteriormente num dos seus discursos onde pedia, «mais investimento da parte dos empresários». 

Então isto num primeiro resumo é fácil de responder, ambos querem mais investimento e ambos querem que «se gaste mais dinheiro» para o país ir para a frente, acabar com o desemprego e a solução está em «pedir ajuda aos bancos». Espero não me estar a tornar maçuda com esta história de «pedir dinheiro aos bancos», mas que parte de «os bancos são cada vez mais uma empresa de sugar dinheiro» que de se preocuparem em ajudar um país é que me está a falhar? 

Indústria e desenvolvimento, são palavras que nunca fizeram parte de Portugal num global, apenas de algumas zonas de Portugal e todos sabemos que por melhores médicos que tenhamos, por melhor engenheiros ou artistas, ou seja o que for que tenhamos de melhor, temos que lutar sempre sozinhos para realmente sermos entendidos como melhores. Grande parte da população portuguesa está envelhecida, outra parte é analfabeta, os estudos caros faz com que outra parte nem consiga prosseguir a sua formação e a parte dos impostos e da saúde acho que não vou pronunciar. Talvez não deveria afirmar a palavra «especiais», porque depois daquilo que vejo ter escrito chamo aqueles que conseguem lutar por Portugal, e não tentam a sua sorte no estrangeiro, serão antes «sortudos».

E «sortudos» serão também aqueles que conseguirão ter sucesso nos seus investimentos e que consigam a tal «ajuda do banco». Todos sabemos que o famoso vinho do Porto foi um desenvolvimento inglês, e qui sá até seja por isso que a rainha de Inglaterra antes de dormir bebe um «copinho», e qui sá ainda pensará “estou a beber uma criação inglesa”.Se falo no vinho do Porto é porque quero recordar que muitas das empresas que investem em Portugal não são portuguesas. E que sim, Portugal poderá investir mais e criar mais impressas, mas trará isso mais empregos? Portugal «foge» para o estrangeiro, mas a «crise» está em todo o Mundo e os estrangeiros também «fogem» para Portugal. Talvez o melhor seria legalizar tudo bem legalizado, parar de pedir empréstimos para carros de luxo e para essas coisas todas «fúteis», como é considerado um computador quando é descontado para o IRS (e claro está não é descontado) e começar a investir mais em «igualdade de direitos», pois isso poderá ser mais uma «ajuda» para quem tenta a sua sorte em Portugal, mas se não se fugir ao fisco e a essas «papeladas» que não demoram, os tais, 30 minutos, ajudaremos ainda mais Portugal. 

“Julgo que este é o momento adequado para fazer um apelo aos bancos para que reforcem as suas políticas de crédito e para que reforcem, se for caso disso, os seus capitais próprios para que possam servir a economia portuguesa”, afirmou hoje o primeiro-ministro.”

José Sócrates, PÚBLICO, 15.12.2008

A ver se me consigo explicar, criar uma empresa não demora «30 minutos», investir numa empresa tentando pressionar bancos, só porque o nosso Primeiro-Ministro pediu ajuda, não vai alterar nenhuma daquelas letrinhas minúsculas com o famoso asterisco. E se as letras estão tão pequenas que só com lupa, não é para serem amigos do ambiente e poupar papel.

Sim, somos um «povo unido». Unido ao nosso dinheiro e gostamos muito dele e temos medo que o banco onde o temos entre em falência. «ERRO» será tirar de lá o dinheiro e colocá-lo debaixo do colchão, porque é o nosso dinheiro que alimenta o tal banco. Mas a verdade é que também o nosso banco tem investimentos e medos. O único banco que parecia não ter medo de fazer aventurar-se era o BNP e todos sabemos como anda. Simplesmente, «não anda», e com a justiça portuguesa, nem deve andar mais. Por acaso seria também interessante o Primeiro-Ministro ter falado deste sector para 2009, mas certamente não é relevante. 

“o melhor de todos, empresários e administração pública”

José Socrates, PÚBLICO, 15.12.2008

Sinceramente, eu também espero o «melhor de todos» e o «melhor do governo». Desde de Obama que é moda fazer como no teatro e dizer ao público, «se não fossem vocês isto não seria possível», todos sabemos que isso é verdade, e todos sabemos que depende, antes de mais, de nós. Vamos tentar mas não com o pensamento «seja o que Deus quiser», vamos tentá-lo com o pensamento de «é desta e vai funcionar». Porque todos somos o futuro e nem os asteriscos nos podem «bater». 

 

Andrea Rocha